quarta-feira, 20 de abril de 2011

Visão missionária sobre O Vale do Jequitinhonha

O Vale do Jequitinhonha segundo dados estatísticos do IBGE[1] é a região mais pobre do Brasil, e também considerado pelos parâmetros da  UNESCO[2] uma das mais pobres do mundo. Nos últimos anos a população teve seu número reduzido principalmente em decorrência do êxodo para grandes centros urbanos em busca de trabalho[3].
A História registra que a luta pela conquista do Vale do Jequitinhonha começou em 1550, porque continha muito ouro e diamantes, que despertaram a atenção dos Bandeirantes paulistas e dos reis de Portugal. Um dos primeiros surtos de geração de riqueza no Brasil foi resultante das atividades mineradoras nesta região[4]. Por isso o solo envelheceu e foi desgastado pelas escavações, pelas queimadas e pelas estiagens causticantes.
O município de Medina originou-se de um povoado formado por uma leva de índios e escravos liderados pelo espanhol Leandro de Medina, que chegou a região em maio de 1824. No censo de 2010 o IBGE estima em 20.909[5] habitantes na cidade de Medina.  A cidade tem uma Renda Per Capita mensal de R$ 91.69[6], um Percentual de Pobres de 70,4%[7] e Taxa de Analfabetismo de 42%[8]. O Bolsa Família tem sido a única renda de muitas famílias na região.
A pobreza contrasta com a visível riqueza de alguns poucos milionários do garimpo e minério que pouco contribuem para o crescimento da região porque registram suas empresas em outros estados e por isso não recolhem muitos impostos da extração mineral. Há muita exploração da mão-de-obra barata e insegurança total do trabalho.
O perfil do povo deste vale é de um povo muito sofrido e explorado tendo se acondicionado à pobreza e positivismo social marcado pelo conformismo. A cultura de extradição de minerais marcou a região degradando a natureza e a saúde das pessoas. Praticamente toda a produção de frutas, legumes, verduras e cereais vem da Bahia e do Ceasa de Belo Horizonte chegando a preços altos ao consumidor. Isso tudo, somado à pouca chuva e às dificuldades de retirar renda da produção rural tornou escassa a cultura de plantar e colher.
Esses fatores influenciaram definitivamente na vida das pessoas que não aprenderam a sonhar, planejar e esperar resultados de seus trabalhos. Seu pensamento vem logo do extrair e não do cultivar. A política alimenta esse sentimento de conformismo e extrativismo no povo oferecendo ‘pão e circo’ à população. Os problemas econômicos são remediados com assistencialismo e não são resolvidos dando dignidade às pessoas. Enquanto isso muitas festas populares difundem vícios e prostituição.
É comum encontrar famílias mistas com filhos de pais de diferentes relacionamentos. Segundo o IBGE, em 2008 houve mais divórcio do que casamentos em Medina (Casamentos: 92 e Divórcios: 135) [9]. Isso chama a atenção para a situação familiar na região. As famílias são na maioria informais e mudam com facilidade de parceiros. Com isso crescem filhos muitas vezes desestruturados. Isso atinge a igreja que recebe um público que não tem apego a instituições e nem compromisso permanente com lugar ou pessoas. Esse público descomprometido transita por várias religiões e igrejas e o assunto mais comum são os problemas familiares de sustento, separações e violência doméstica.
A cultura religiosa é nominalmente católica, mas uma minoria pratica essa fé. O catolicismo da região é folclórico, cheio de contos e crendices misturadas ao umbandismo muito comum nas divisas com a Bahia. Isso se percebe na linguagem do povo.
Sabemos que das 83 cidades do Vale do Jequitinhonha, com cerca de um milhão de habitantes, 48 municípios são considerados não evangelizados por ter número de evangélicos inferior a 10% da população, de acordo com dados da SEPAL[10] (Servindo a Pastores e Líderes) e do MAI[11] (Ministério de Apoio com Informação). A Igreja Metodista em Medina tem como lema ‘Uma semente de fé para o Vale do Jequitinhonha’ e nosso maior sonho é conquistar este Vale para Deus.

Pr. Welfany Nolasco Rodrigues




[1] http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_impressao.php?id_noticia=354
[2] http://www.brasilia.unesco.org/search?SearchableText=Jequitinhonha
[3]http://www.ibge.gov.br/busca/search?q=VAle+do+Jequitinhonha&entqr=0&output=xml_no_dtd&client=default_frontend&proxystylesheet=default_frontend&site=default_collection&ud=1&oe=iso-8859-1&ie=iso-8859-1&Submit.x=7&Submit.y=6
[4] http://culturadigital.br/advj/a-historia-do-vale-do-jequitinhonha
[5] http://www.censo2010.ibge.gov.br/dados_divulgados/index.php?uf=31
[6]http://www.caminhos.ufms.br/matrizdados/mg/medina.html
[7] Fonte: PNUD/IPEA/FJP - Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 1998.
[8] Fonte: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - Censos Demográficos de 1970, 1980, 1991 e 2000.
[9] http://pt.wikipedia.org/wiki/Medina_(Minas_Gerais)#Geografia
[10] http://www.pesquisas.org.br/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=353
[11] http://www.mai.org.br/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=76